Kauã Elias fala sobre adaptação e ajuda de brasileiros no Shakhtar
Somos um time sem casa”.
A frase de Darijo Srna, ex-jogador e hoje dirigente do Shakhtar Donetsk, retrata o drama vivido há mais de uma década pelo clube ucraniano. Por causa de conflitos no leste da Ucrânia, o segundo maior campeão do país convive há anos com a impossibilidade de atuar na cidade de Donetsk e precisa encontrar outros estádios para mandar suas partidas. Em jogos de competições europeias, como a Champions League, as alternativas são fora do território ucraniano. Na edição de 2026/27, por exemplo, a equipe atuará no Stamford Bridge, em Londres, casa do Chelsea – que não disputará torneios continentais na temporada.
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Stamford Bridge, casa do Chelsea, vai receber jogos do Shakhtar na Champions
Warren Little/Getty Images
O primeiro jogo do Shakhtar como mandante em um tradicional palco do futebol inglês ocorre nesta quarta-feira, quando os ucranianos recebem o AEK, da Grécia, pela segunda rodada da fase de liga.
Em entrevista ao ge, Srna relembrou as perdas provocadas pela guerra, explicou a escolha pela capital inglesa e falou sobre os desafios de manter a equipe competitiva enquanto o clube segue impossibilitado de jogar em sua terra natal. Da última vez que esteve na Liga dos Campeões, na temporada 2024/25, a equipe atuou na Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen, na Alemanha, casa do Schalke 04.
O drama do Shakhtar começou em 2014, quando forças da Rússia tomaram a região de Donbass, onde fica a cidade de Donetsk. Desde então, o time ucraniano teve que procurar alternativas em outras cidades pelo país. O clube, inicialmente, optou por tornar Lviv, que fica no oeste, sua nova base – a cerca de 1,2 mil quilômetros de distância de Donetsk. O impacto não veio apenas para os torcedores, mas também chegou ao dia a dia de todos os profissionais envolvidos.
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— Perdemos Donetsk, nosso estádio, nosso centro de treinamento, nossas casas e nossos torcedores. Jogamos em Lviv, jogamos em Kharkiv, jogamos em Kiev. Depois que a guerra em grande escala começou, em 2022, jogamos na Polônia e na Alemanha. Estamos em todos os lugares. Somos um time sem casa — afirmou o diretor executivo.
PSV Eindhoven 1 x 1 Shakhtar Donetsk | Gols | 1ª rodada | Fase de liga | Liga dos Campeões
+ Veja a tabela completa da Champions League 2026/27
No caso de competições realizadas pela Uefa, o Shakhtar precisa atuar fora da Ucrânia. A entidade não autoriza jogos de torneios como a Champions League em território ucraniano devido aos riscos militares e constantes ataques com mísseis e drones. Por conta disso, em outros anos os vizinhos Alemanha e Polônia foram escolhidos. Mas, então, nesta temporada, por que Londres?
A escolha por Stamford Bridge passa por alguns fatores. O primeiro, a disponibilidade do estádio nas datas da competição, já que o Chelsea não disputa torneios europeus em 2026/27 – e o único clube londrino que joga a Champions é o Arsenal. Pesou, também, a existência de uma forte comunidade ucraniana no Reino Unido: segundo o observatório da migração, são mais de 217 mil pessoas.
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— Esperamos ter um ambiente muito bom no estádio e um forte apoio da torcida. A Inglaterra e o Reino Unido estão apoiando muitos ucranianos durante a guerra. Eles abriram as portas. (Stamford Bridge) É um estádio único, um estádio histórico. Acho que será um prazer para nós jogarmos partidas da Liga dos Campeões lá — disse Srna.
A distância impõe desafios à logística do clube. Para disputar partidas europeias, o Shakhtar precisa conciliar os longos deslocamentos com a rotina do Campeonato Ucraniano. Segundo Srna, a equipe procura administrar o desgaste com um rodízio frequente entre os jogadores.
— Temos cerca de 26 a 27 jogadores e estamos fazendo rodízio no time a cada três dias. E sim, infelizmente, estamos acostumados com essa situação. Esperamos que esta guerra termine o mais rápido possível e que possamos voltar a jogar em nosso país diante de nossa torcida — finalizou.
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O último jogo na Donbass Arena
Torcedores presentes no último jogo do estádio Donbass Arena
Shakhtar Donetsk
O afastamento do Shakhtar Donetsk de sua cidade natal é um marco na história do clube. O time ucraniano disputou sua última partida na Donbass Arena no dia 2 de maio de 2014. Diante de mais de 18 mil torcedores, a equipe venceu o Illichivets Mariupol por 3 a 1, com gols dos brasileiros Luiz Adriano e Douglas Costa.
Inaugurado em 2009, a Donbass Arena era um dos símbolos do futebol ucraniano e havia recebido jogos da Eurocopa de 2012. Meses depois da saída do Shakhtar, em agosto de 2014, o local foi danificado durante o conflito no leste do país.
Donbass Arena não recebe jogos desde 2014
Reprodução/Twitter
Mais de uma década após o início da guerra, que depois tomou conta de todo o país, o Shakhtar continua longe de Donetsk e precisa passar por diferentes cidades e países para disputar seus jogos. Em imagens feitas pelo jornalista ucraniano Butusov, Luiz Adriano e Douglas Costa ainda aparecem na fachada do Donbass Arena, como lembrança de um período de conquistas.
Enquanto o retorno não é possível, o clube segue construindo sua trajetória longe da Ucrânia. Nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), o Shakhtar enfrenta o AEK Atenas pela segunda rodada da Champions League 2026/27.
Somos um time sem casa”.
A frase de Darijo Srna, ex-jogador e hoje dirigente do Shakhtar Donetsk, retrata o drama vivido há mais de uma década pelo clube ucraniano. Por causa de conflitos no leste da Ucrânia, o segundo maior campeão do país convive há anos com a impossibilidade de atuar na cidade de Donetsk e precisa encontrar outros estádios para mandar suas partidas. Em jogos de competições europeias, como a Champions League, as alternativas são fora do território ucraniano. Na edição de 2026/27, por exemplo, a equipe atuará no Stamford Bridge, em Londres, casa do Chelsea – que não disputará torneios continentais na temporada.
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Stamford Bridge, casa do Chelsea, vai receber jogos do Shakhtar na Champions
Warren Little/Getty Images
O primeiro jogo do Shakhtar como mandante em um tradicional palco do futebol inglês ocorre nesta quarta-feira, quando os ucranianos recebem o AEK, da Grécia, pela segunda rodada da fase de liga.
Em entrevista ao ge, Srna relembrou as perdas provocadas pela guerra, explicou a escolha pela capital inglesa e falou sobre os desafios de manter a equipe competitiva enquanto o clube segue impossibilitado de jogar em sua terra natal. Da última vez que esteve na Liga dos Campeões, na temporada 2024/25, a equipe atuou na Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen, na Alemanha, casa do Schalke 04.
O drama do Shakhtar começou em 2014, quando forças da Rússia tomaram a região de Donbass, onde fica a cidade de Donetsk. Desde então, o time ucraniano teve que procurar alternativas em outras cidades pelo país. O clube, inicialmente, optou por tornar Lviv, que fica no oeste, sua nova base – a cerca de 1,2 mil quilômetros de distância de Donetsk. O impacto não veio apenas para os torcedores, mas também chegou ao dia a dia de todos os profissionais envolvidos.
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— Perdemos Donetsk, nosso estádio, nosso centro de treinamento, nossas casas e nossos torcedores. Jogamos em Lviv, jogamos em Kharkiv, jogamos em Kiev. Depois que a guerra em grande escala começou, em 2022, jogamos na Polônia e na Alemanha. Estamos em todos os lugares. Somos um time sem casa — afirmou o diretor executivo.
PSV Eindhoven 1 x 1 Shakhtar Donetsk | Gols | 1ª rodada | Fase de liga | Liga dos Campeões
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No caso de competições realizadas pela Uefa, o Shakhtar precisa atuar fora da Ucrânia. A entidade não autoriza jogos de torneios como a Champions League em território ucraniano devido aos riscos militares e constantes ataques com mísseis e drones. Por conta disso, em outros anos os vizinhos Alemanha e Polônia foram escolhidos. Mas, então, nesta temporada, por que Londres?
A escolha por Stamford Bridge passa por alguns fatores. O primeiro, a disponibilidade do estádio nas datas da competição, já que o Chelsea não disputa torneios europeus em 2026/27 – e o único clube londrino que joga a Champions é o Arsenal. Pesou, também, a existência de uma forte comunidade ucraniana no Reino Unido: segundo o observatório da migração, são mais de 217 mil pessoas.
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— Esperamos ter um ambiente muito bom no estádio e um forte apoio da torcida. A Inglaterra e o Reino Unido estão apoiando muitos ucranianos durante a guerra. Eles abriram as portas. (Stamford Bridge) É um estádio único, um estádio histórico. Acho que será um prazer para nós jogarmos partidas da Liga dos Campeões lá — disse Srna.
A distância impõe desafios à logística do clube. Para disputar partidas europeias, o Shakhtar precisa conciliar os longos deslocamentos com a rotina do Campeonato Ucraniano. Segundo Srna, a equipe procura administrar o desgaste com um rodízio frequente entre os jogadores.
— Temos cerca de 26 a 27 jogadores e estamos fazendo rodízio no time a cada três dias. E sim, infelizmente, estamos acostumados com essa situação. Esperamos que esta guerra termine o mais rápido possível e que possamos voltar a jogar em nosso país diante de nossa torcida — finalizou.
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O último jogo na Donbass Arena
Torcedores presentes no último jogo do estádio Donbass Arena
Shakhtar Donetsk
O afastamento do Shakhtar Donetsk de sua cidade natal é um marco na história do clube. O time ucraniano disputou sua última partida na Donbass Arena no dia 2 de maio de 2014. Diante de mais de 18 mil torcedores, a equipe venceu o Illichivets Mariupol por 3 a 1, com gols dos brasileiros Luiz Adriano e Douglas Costa.
Inaugurado em 2009, a Donbass Arena era um dos símbolos do futebol ucraniano e havia recebido jogos da Eurocopa de 2012. Meses depois da saída do Shakhtar, em agosto de 2014, o local foi danificado durante o conflito no leste do país.
Donbass Arena não recebe jogos desde 2014
Reprodução/Twitter
Mais de uma década após o início da guerra, que depois tomou conta de todo o país, o Shakhtar continua longe de Donetsk e precisa passar por diferentes cidades e países para disputar seus jogos. Em imagens feitas pelo jornalista ucraniano Butusov, Luiz Adriano e Douglas Costa ainda aparecem na fachada do Donbass Arena, como lembrança de um período de conquistas.
Enquanto o retorno não é possível, o clube segue construindo sua trajetória longe da Ucrânia. Nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), o Shakhtar enfrenta o AEK Atenas pela segunda rodada da Champions League 2026/27.