Infantino lamenta veto a entrada de árbitro da Copa nos EUA: “Não somos os reis do mundo”

Entenda a situação do Irã na Copa do Mundo
Gianni Infantino concedeu aguardada entrevista coletiva nesta quarta-feira à tarde, na Cidade do México. O presidente da Fifa chegou a fazer um apelo e pedir aos jornalistas que “focassem no futebol”, mas os assuntos externos, como o Irã e o veto ao árbitro da Somália de entrar nos EUA, dominaram o evento.
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Omar Abdulkadir Artan, da Somália, teve sua entrada negada nos Estados Unidos, onde apitaria partidas da Copa do Mundo. O árbitro foi barrado de entrar no país por oficiais de imigração e precisou retornar à Turquia, de onde vinha seu voo.
– É infeliz o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália. Não controlamos tudo, tentamos discutir. Mas às vezes é bom se acalmar. Estamos trabalhando em tudo, tentamos resolver as questões. Podem acreditar ou não quando digo que estamos buscando soluções, mas não somos reis do mundo, não temos controle sobre governos, policiais. Somos organização esportiva e fazemos o máximo com o que temos ao nosso dispor. Queremos unir o mundo. Se quiserem me criticar, podem criticar. Mas promovam a unidade do mundo.
Infantino em coletiva de imprensa no México antes da abertura da Copa do Mundo
Leo Lourenço / ge
Sobre o Irã, Infantino disse que sempre confiou na participação do país na Copa do Mundo. O dirigente lembrou uma promessa que fez sobre o assunto.
– Estou muito feliz porque eu mesmo fui visitar a equipe do Irã na Turquia e na Itália. Quando diziam que seria impossível o Irã jogar a Copa, respondi e prometi que viriam.
O Irã está em guerra contra Estados Unidos e Israel desde fevereiro. Os últimos meses foram marcados por ameaça de boicote, problemas para a emissão de vistos e até um artilheiro que ficou fora da convocação.
Mesmo com os vistos concedidos para os jogadores, a embaixada do Irã na Turquia acusou os Estados Unidos de tratamento discriminatório, afirmando que membros do estafe técnico não receberam autorizações para ingressar no país.
Desembarque do Irã na Copa do Mundo
Mario Tama/Getty Images
Por causa da demora para a emissão dos vistos – concedidos aos jogadores apenas na última sexta-feira -, a seleção iraniana teve que transferir sua base de treinos.
No planejamento original, a Fifa havia colocado o Irã em um centro de treinamentos em Tucson, no Arizona (EUA). Com os problemas burocráticos, a seleção foi realocada para Tijuana, no México, onde desembarcou no último domingo.
– Em 2035 eu acredito e nós esperamos que o Mundial feminino seja realizado no Reino Unido. Você acharia normal se a Fifa determinasse para o governo britânico quem pode entrar no país e quem não deve? Eu não sei, talvez você ache isso normal. Eu por outro lado gostaria de considerar a realidade do fato que nós temos o país com seu governo, países que querem entrar muitas vezes sem visto. O nosso mundo é muito agressivo e a segurança é nossa prioridade máxima. E temos que respeitar.
– Peço um voto de confiança. Estamos trabalhando nos bastidores. Há coisas que podemos saber e outras que não podemos saber. às vezes damos conta, às vezes não. Já tivemos êxito no momento em que já conseguimos trazer o Irã. Nós temos que lidar com a realidade e tentamos fazer o nosso melhor.
A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira com o jogo entre México x África do Sul, às 16h (Brasília), no estádio Azteca. Os dois times estão no Grupo A, que ainda conta com Coreia do Sul e República Tcheca, que se enfrentam também nesta quinta, às 23h.
Infantino em coletiva de imprensa no México antes da abertura da Copa do Mundo
Leonardo Lourenço / ge
Outras respostas de Infantino:
Como é sua relação com Trump?
– Eu tenho um excelente relacionamento com o presidente Trump, eu tive a oportunidade de conhecê-lo durante o seu primeiro mandato, e desde então nós trabalhamos juntos nesse segundo mandato. Sem o envolvimento do presidente e a participação dele, acho que seria simplesmente impossível organizar o Mundial nos EUA. Ele entendeu imediatamente o impacto que a Copa teria e instruiu sua equipe a auxiliar. Claro que existem algumas questões que precisam ser levadas em consideração e conversamos sobre isso desde o inicio. Porém, ter a oportunidade tratar dessas questões com ele e sua equipe foi o ponto chave para garantir o êxito desse relacionamento, essa é minha opinião
Preço dos ingressos
– O preços dos ingressos e dúvidas sobre os estádios estarem cheios ou não… Até hoje mais de seis milhões de ingressos já foram vendidos. A demanda tem sido enorme. Claro, inédita não só por percentual, mas uma medida enorme. O retorno que estamos recebendo tem sido maravilhoso. Queria agradecer os torcedores. É uma experiência única. Quando você está nessa parte do mundo é preciso lidar com os hábitos locais e eu gostaria de dizer que nosso preço de entrada, que é de 60 dólares, é o menor valor de qualquer torneio esportivo nos Estados Unidos nessa fase. É mais uma vez o mais baixo quando comparamos com outros esportes.
– Quando colocamos os ingressos à venda, eles passam para um mercado secundário, que aqui é totalmente legal, e isso eleva o preço significativamente. Isso demanda muita pesquisa. Eu posso dizer que nós estamos tranquilos em relação a isso. Nós estamos abertos a investigação, mas o que é mais importante é que cada dólar que nós geramos, volta. É importante que nós invistamos em todos os países que ninguém quer investir.
– Nós investimos e fazemos isso graças a receita que nós geramos. Os ingressos da Copa do Mundo estão conectados com os eventos que acontecem antes do jogo ou no intervalo. Eu gostaria de agradecer aqueles que estão contribuindo para tornar isso possível.
– Eu vou dizer uma coisa. Eu gostaria de parabenizar o prefeito de Nova York. E ele colocou mil ingressos à venda no valor de 50 dólares. Isso há alguns meses atrás. Isso se tornou uma novidade maravilhosa. A questão dos 60 dólares, o mercado ser o que é aqui, se nós trouxéssemos os preços mais para baixo… eles seriam revendidos por valores muito mais altos. Então, nós estamos investindo esse dinheiro no crescimento do esporte. Isso permite também manter a transmissão gratuita na televisão. Poderíamos ter só na tv paga, mas milhões de torcedores no mundo não teriam acesso.
– É por isso que a dinâmica de preço é o que é. O que isso mostra é que talvez a precificação é bem feita. Gerar a receita que permitirá a Fifa em investir em todos esses países, onde de outra forma, ninguém investiria. Em algum momento a gente precisa pensar nessas pessoas e é isso que nós fazemos. Eu ouvi dizerem que esse é um dinheiro que vai para as federações para garantir o poder, mas o que acontece então… Nós estamos construindo academias no mundo todo. Nós precisamos aceitar também que a democracia não é só uma palavra vazia. Precisamos também aceitar que as situações são diferentes. É isso que diferencia a Fifa de outras organizações.
O que precisa para ser melhor que a Copa do Catar?
– Nossa missão é ter sucesso, eu acredito que as pessoas devem ser felizes. Se por pelo menos alguns minutos as pessoas puderem esquecer dos problemas do dia a dia, em alguns jogos, se durante esses 39 dias elas puderem deixar os problemas de lado, se puderem ser mais felizes, esse Mundial já será um sucesso. Se pudermos ver grandes jogos, também queremos a segurança dos estádios, nenhum acidente, dentro e fora dos estádios, há distancias significativas, países diferentes, 300 mil pessoas credenciadas, os governos, forças militares, todos os responsáveis para que essa Copa do Mundo ocorra de forma segura. Se pudermos também diluir um pouco as polêmicas, isso seria excepcional.