De fracasso como “Messi nórdico” a astro do Arsenal: o camisa 10 que lidera Noruega em volta à Copa

Viking Haaland! Jogadores da Noruega se vestem como vikings em ensaio de fotos
O futebol tem pressa para rotular seus craques. Aos 15 anos, Martin Odegaard era o “Messi nórdico”, disputado intensamente pelos maiores clubes do planeta. Aos 20, carregava o peso injusto de ser tratado como um fracasso. Hoje, aos 27 anos, o camisa 10 é o cérebro que guia a Noruega em uma Copa do Mundo. Odegaard é o arco; Erling Haaland, a flecha nórdica.
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– É muito bom jogar com Odegaard. Isso só vai melhorar nos próximos anos. Nós ainda somos jovens – disse Haaland, de 25 anos, também estreante em Copas, pois a Noruega não joga o Mundial desde 1998, antes de ambos terem nascido.
Martin Odegaard comemora gol em amistoso pela Noruega
Cornelius Poppe/NTB via REUTERS
Mas esse barco viking nem sempre navegou em águas tranquilas. A transferência de Odegaard para o Real Madrid, em 2015, parecia um conto de fadas. Mas se transformou em um drama psicológico. No vestiário do time espanhol, Odegaard era um adolescente isolado pela barreira do idioma e sofreu com a indiferença de jogadores consagrados. Foi integrado ao time B, o Real Madrid Castilla, longe do brilho do Santiago Bernabéu, e passou a ser caçado em campos da terceira divisão espanhola.
– Com o time B, eu não estava com eles regularmente, então não encontrei aquela conexão. No time principal, eu era apenas um garoto que ia treinar. Eu não estava envolvido nos jogos. Me senti um pouco como um estranho – disse Martin Odegaard, em texto à plataforma The Players’ Tribune, em fevereiro de 2023.
Martin Odegaard no Real Madrid
Reprodução
Exílio e reconstrução
Descartado da equipe espanhola, o meio-campista iniciou uma longa peregrinação. Por empréstimo, acabou longe dos grandes palcos da Europa, em clubes da Holanda, como Heerenveen e Vitesse.
– Parei de jogar com a faísca que era típica do meu jogo. Eu me preocupava mais em não cometer erros do que em realmente jogar o meu jogo… Depois de anos, eu simplesmente não estava progredindo. A imprensa veio atrás de mim por não corresponder imediatamente ao alvoroço criado. Eu era um alvo fácil – contou, em 2023.
Martin Odegaard treinando com Marcelo no Real Madrid
Reprodução / Site Oficial
A redenção veio em Londres. Sob o comando de Mikel Arteta, no Arsenal, Odegaard encontrou equilíbrio e assumiu a braçadeira de capitão. Sob a liderança dele, os Gunners conquistaram a Premier League em maio deste ano, encerrando um jejum que já durava 22 anos. No Arsenal e na seleção norueguesa, ele dita o ritmo de jogo com uma postura fria, técnica e silenciosa.
O estilo encantou também a seleção da Noruega. A equipe, que amargou 28 anos de ausência em Copas, encontrou o camisa 10 ideal. Justamente na mesma geração em que tem um dos maiores artilheiros do planeta: Erling Haaland, do Manchester City.
– Nós falhamos em nos classificar muitas vezes, e tivemos muitos momentos difíceis como equipe. Estou na seleção desde 2014 e, durante todo esse tempo, não havíamos nos classificado para um grande torneio. Finalmente chegar lá é gigante. É um dos meus maiores sonhos. Poder ir a uma Copa do Mundo com esse grupo de jogadores é um sentimento inacreditável – disse.
Odegaard levanta a taça de campeão da Premier League para o Arsenal
Matthew Childs/Reuters
Assim, aquele prodígio que um dia foi chamado por jornais espanhóis de “Messi nórdico”, mas quase se perdeu graças às críticas da mesma imprensa, agora, está consolidado no topo do futebol mundial.
– Quando você tem 15 anos e o mundo inteiro está falando sobre você, é fácil começar a acreditar no hype – escreveu Odegaard, em 2023.
– Chegar aqui é algo que nós, jogadores, sonhamos por nossas vidas inteiras (…) Nós podemos vencer qualquer um – concluiu Odegaard, em 2026.
Para o técnico Stale Solbakken, ele será o termômetro da seleção na Copa:
– Acho que foi muito importante na conquista da Premier League com o Arsenal. Ele é um jogador fundamental para nós e é o nosso capitão. Ele dita o ritmo do nosso jogo em muitas áreas do campo. Creio que possui o recorde de assistências da seleção norueguesa, pelo menos durante os últimos cinco anos em que trabalhei com ele. Mas também jogamos sem ele durante parte das Eliminatórias. Acredito que os jogadores ao redor dele cresceram por causa disso. Eles passaram a acreditar mais em si mesmos.
– Por isso, acho que ele não precisa assumir tanta responsabilidade em determinados aspectos do jogo. Podemos economizar energia para os momentos em que realmente queremos que ele seja decisivo, porque outros jogadores evoluíram bastante durante o período em que ele esteve ausente. Sander Berge, por exemplo. Mas Martin é o nosso líder. É o nosso capitão. E é uma grande liderança tanto para a equipe quanto para o país – elogiou Solbakken.
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