Voz do Setorista: Tudo sobre a contratação de Gabriel Rojas pelo Cruzeiro
O Cruzeiro chegou à sexta jogadora com lesão por LCA (ligamento cruzado anterior) na temporada. Com o número, o time celeste lidera o ranking de atletas em tratamento por esse tipo de problema entre os clubes femininos em 2026. O ge conversou com especialista da área para entender a recorrência do trauma na Toca da Raposa.
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As jogadoras que estão no departamento médico por lesão de LCA são Sandoval, Millene, Gaby Soares, Ravenna, Tainara e Laura Felipe.
Sandoval foi a primeira a sofrer a lesão, ainda no meio de 2025. A meio-campista ainda está em fase de transição para o campo. Em 2026, a segunda atleta a romper o ligamento cruzado anterior foi Millene, em 16 de abril. Pouco menos de duas semanas depois, em 29 de abril, foi a vez de Gaby Soares.
Gaby Soares; Cruzeiro
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Ravenna havia sido convocada para amistosos da Seleção Brasileira Sub-20 e também participaria de treinamentos com a equipe principal. No entanto, a lesão de LCA, sofrida em 22 de maio, a tirou dos compromissos com a Amarelinha.
Seis dias depois, o Cruzeiro anunciou o mesmo diagnóstico para outras duas jogadoras: Tainara e Laura Felipe. O clube divulgou as lesões após a partida contra o Vitória.
Tainara; Cruzeiro
Gustavo Martins / Cruzeiro
Com seis jogadoras em tratamento por lesão de LCA, o Cruzeiro lidera com folga o ranking entre os clubes do futebol feminino em 2026. O clube tem mais de 20% do elenco afastado por causa da lesão.
Em entrevista ao ge, o médico ortopedista especialista em joelho e professor da UFMG, Marco Antônio Percope, detalhou os fatores que ajudam a explicar a maior incidência desse tipo de lesão no futebol feminino.
Base de formação e desenvolvimento neuromuscular
Segundo o especialista, um dos principais fatores está relacionado ao desenvolvimento neuromuscular, responsável pelo controle dos movimentos do corpo durante ações como corridas, saltos e mudanças de direção.
Historicamente, meninos costumam ter maior contato com atividades esportivas desde a infância, o que contribui para o desenvolvimento de padrões motores que podem ajudar na prevenção de lesões.
— Existe um terceiro fator que é o desenvolvimento neuromuscular do homem, que normalmente é melhor do que o da mulher. Quando você tem um filho do sexo masculino, normalmente começa a dar uma bola para ele, e o menino corre atrás da bola desde muito pequeno, enquanto a menina brinca com uma boneca.
Marco Antônio explica que esse desenvolvimento é importante porque influencia diretamente a forma como o joelho se comporta durante movimentos de alta exigência física.
— Esse desenvolvimento neuromuscular é muito importante porque, em determinadas situações, quando salta ou corre, a atleta pode deixar o joelho assumir uma posição que chamamos de valgo, quando ele se desloca para dentro, principalmente na recepção do salto. Isso aumenta a incidência de lesões.
Treino do Cruzeiro Feminino
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Para o médico, programas de prevenção podem reduzir significativamente o risco de rompimento do LCA.
“Se você fizer um treinamento preventivo, profilático para lesões, diminui a incidência dessas ocorrências.” – completou, Dr. Marco Antônio
Diferenças anatômicas
Além do desenvolvimento neuromuscular, fatores anatômicos também ajudam a explicar a maior incidência de lesões no futebol feminino.
Segundo Marco Antônio, uma das hipóteses está relacionada à chamada fossa intercondilar, região do fêmur por onde passam o ligamento cruzado anterior (LCA) e o ligamento cruzado posterior (LCP).
— O formato do fêmur na mulher é um pouco menor que o do homem. O fêmur tem um encaixe chamado fossa intercondilar, por onde passam o ligamento cruzado anterior e o ligamento cruzado posterior. Se existe um estreitamento dessa fossa, com os movimentos de extensão e flexão ocorre um maior conflito do ligamento com essa parte óssea, o que favorece a lesão.
Reapresentação Cruzeiro Feminino
Divulgação/ Cruzeiro
O especialista afirma que estudos também associam uma fossa intercondilar mais estreita a um LCA mais fino.
— Outro estudo mostra que, quando essa fossa é menor, o ligamento cruzado anterior também é mais estreito. É outro fator anatômico que, teoricamente, pode propiciar um maior número de lesões. Homens que apresentam essa característica também sofrem mais lesões.
Mais notícias do Cruzeiro
Por conta desses fatores, o trauma necessário para romper o ligamento pode ser menor nas mulheres.
— O trauma na mulher muitas vezes é menos intenso do que no homem por causa dos fatores que facilitam a lesão. O enfoque deve ser sempre em um condicionamento melhor.
Ciclo menstrual influencia?
A relação entre ciclo menstrual e lesões de LCA ainda não é consenso na literatura científica, mas segue sendo discutida por especialistas. Segundo Marco Antônio, alterações hormonais podem provocar maior frouxidão ligamentar em determinadas fases do ciclo, o que potencialmente aumentaria o risco de entorses e lesões.
— Em determinada fase do ciclo menstrual, existe um certo relaxamento dos ligamentos, para facilitar inclusive o alongamento da pelve para o parto, coisas desse tipo. Esse afrouxamento propícia também mais lesões, porque propícia mais entorses do joelho. Isso é uma teoria também, mas que se discute muito.
O médico ressalta que, embora mais homens sejam submetidos a cirurgias de LCA em números absolutos, a incidência proporcional costuma ser maior no esporte feminino.
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— Se pegarmos o Brasil e mesmo os Estados Unidos, se operam muito mais homens que mulheres. Mas se pegarmos duas ligas, por exemplo, a liga de futebol masculino e feminino nos Estados Unidos, vamos observar que tem mais lesões na liga feminina que na masculina.
Diferença do campo sintético e natural
As jogadoras que atuam no Brasil enfrentam diferentes condições de gramado ao longo da temporada, desde campos em más condições até os sintéticos. Com as Cabulosas, não é diferente.
Justamente para se adaptar aos diferentes tipos de superfície encontrados nas competições, a Toca da Raposa I, centro de treinamento do Cruzeiro Feminino, conta com campos de grama natural e sintética. Ao longo da temporada, as atletas realizam atividades em ambos os pisos.
Jogadoras do Cruzeiro em treino na Toca da Raposa I
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Questionado sobre a influência do tipo de gramado no risco de lesões, o especialista Dr. Marco Antônio explicou:
— O fato de se jogar em diferentes pisos não é tão importante, mas o quem importa é o tipo de calçado. Se joga com calçado que prende mais o pé no chão, as chuteiras eventualmente fazem isso, é claro que se o pé ficar mais preso, para dar mais estabilidade, eventualmente tem mais incidência de de torção no joelho.
O que o Cruzeiro pensa
Após os diagnósticos de Laura Felipe e Tainara, o Cruzeiro divulgou uma nota informando que vem aprofundando estudos para compreender a recorrência dos casos.
Em que pesem os já conhecidos fatores que fazem as lesões ligamentares no joelho serem mais recorrentes no futebol feminino, em comparação ao masculino, e a casualidade das contusões em questão, o clube ressalta que tem realizado um profundo estudo sobre as circunstâncias relacionadas a lesões sofridas pelas atletas com este diagnóstico. O Cruzeiro trabalha de maneira incessante para mitigar a incidência dessas lesões.
Ciente da recorrência da mesma lesão, a gestora do futebol feminino do Cruzeiro, Luiza Parreiras também afirmou que o clube entende como anormal e que vem trabalhando para chegar a um motivo para os traumas.
— A gente entende que não é somente uma infeliz coincidência. Exatamente pelo alto índice de lesões que a gente tem sofrido até agora… É buscar informações de GPS, controle de carga, monitoramento de sono, humor, ciclo menstrual, percentual de gordura, hidratação pré e pós-jogo, todo o trabalho psicológico, de força. Utilizando para chegar a uma conclusão e entender as reais causas.
Cruzeiro x Corinthians Brasileiro Feminino
Gustavo Martins/ Cruzeiro
— Sabemos que a lesão de LCA no feminino tem maior incidência por questões fisiológicas, mas a gente trabalha para poder minimizar e reduzir. Agora a gente foi impactado por tudo isso, tem nos preocupado. O que a gente tem feito é evolver todo o departamento de futebol do Cruzeiro, o masculino e o feminino, tentando achar causas para que a gente possa implementar mudanças necessárias. No momento, a gente não tem a conclusão, mas está trabalhando para que, nas próximas semanas, consiga apresentar e falar sobre.
Assista: tudo sobre o Cruzeiro no ge, na Globo e no Sportv
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O Cruzeiro chegou à sexta jogadora com lesão por LCA (ligamento cruzado anterior) na temporada. Com o número, o time celeste lidera o ranking de atletas em tratamento por esse tipo de problema entre os clubes femininos em 2026. O ge conversou com especialista da área para entender a recorrência do trauma na Toca da Raposa.
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As jogadoras que estão no departamento médico por lesão de LCA são Sandoval, Millene, Gaby Soares, Ravenna, Tainara e Laura Felipe.
Sandoval foi a primeira a sofrer a lesão, ainda no meio de 2025. A meio-campista ainda está em fase de transição para o campo. Em 2026, a segunda atleta a romper o ligamento cruzado anterior foi Millene, em 16 de abril. Pouco menos de duas semanas depois, em 29 de abril, foi a vez de Gaby Soares.
Gaby Soares; Cruzeiro
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Ravenna havia sido convocada para amistosos da Seleção Brasileira Sub-20 e também participaria de treinamentos com a equipe principal. No entanto, a lesão de LCA, sofrida em 22 de maio, a tirou dos compromissos com a Amarelinha.
Seis dias depois, o Cruzeiro anunciou o mesmo diagnóstico para outras duas jogadoras: Tainara e Laura Felipe. O clube divulgou as lesões após a partida contra o Vitória.
Tainara; Cruzeiro
Gustavo Martins / Cruzeiro
Com seis jogadoras em tratamento por lesão de LCA, o Cruzeiro lidera com folga o ranking entre os clubes do futebol feminino em 2026. O clube tem mais de 20% do elenco afastado por causa da lesão.
Em entrevista ao ge, o médico ortopedista especialista em joelho e professor da UFMG, Marco Antônio Percope, detalhou os fatores que ajudam a explicar a maior incidência desse tipo de lesão no futebol feminino.
Base de formação e desenvolvimento neuromuscular
Segundo o especialista, um dos principais fatores está relacionado ao desenvolvimento neuromuscular, responsável pelo controle dos movimentos do corpo durante ações como corridas, saltos e mudanças de direção.
Historicamente, meninos costumam ter maior contato com atividades esportivas desde a infância, o que contribui para o desenvolvimento de padrões motores que podem ajudar na prevenção de lesões.
— Existe um terceiro fator que é o desenvolvimento neuromuscular do homem, que normalmente é melhor do que o da mulher. Quando você tem um filho do sexo masculino, normalmente começa a dar uma bola para ele, e o menino corre atrás da bola desde muito pequeno, enquanto a menina brinca com uma boneca.
Marco Antônio explica que esse desenvolvimento é importante porque influencia diretamente a forma como o joelho se comporta durante movimentos de alta exigência física.
— Esse desenvolvimento neuromuscular é muito importante porque, em determinadas situações, quando salta ou corre, a atleta pode deixar o joelho assumir uma posição que chamamos de valgo, quando ele se desloca para dentro, principalmente na recepção do salto. Isso aumenta a incidência de lesões.
Treino do Cruzeiro Feminino
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Para o médico, programas de prevenção podem reduzir significativamente o risco de rompimento do LCA.
“Se você fizer um treinamento preventivo, profilático para lesões, diminui a incidência dessas ocorrências.” – completou, Dr. Marco Antônio
Diferenças anatômicas
Além do desenvolvimento neuromuscular, fatores anatômicos também ajudam a explicar a maior incidência de lesões no futebol feminino.
Segundo Marco Antônio, uma das hipóteses está relacionada à chamada fossa intercondilar, região do fêmur por onde passam o ligamento cruzado anterior (LCA) e o ligamento cruzado posterior (LCP).
— O formato do fêmur na mulher é um pouco menor que o do homem. O fêmur tem um encaixe chamado fossa intercondilar, por onde passam o ligamento cruzado anterior e o ligamento cruzado posterior. Se existe um estreitamento dessa fossa, com os movimentos de extensão e flexão ocorre um maior conflito do ligamento com essa parte óssea, o que favorece a lesão.
Reapresentação Cruzeiro Feminino
Divulgação/ Cruzeiro
O especialista afirma que estudos também associam uma fossa intercondilar mais estreita a um LCA mais fino.
— Outro estudo mostra que, quando essa fossa é menor, o ligamento cruzado anterior também é mais estreito. É outro fator anatômico que, teoricamente, pode propiciar um maior número de lesões. Homens que apresentam essa característica também sofrem mais lesões.
Mais notícias do Cruzeiro
Por conta desses fatores, o trauma necessário para romper o ligamento pode ser menor nas mulheres.
— O trauma na mulher muitas vezes é menos intenso do que no homem por causa dos fatores que facilitam a lesão. O enfoque deve ser sempre em um condicionamento melhor.
Ciclo menstrual influencia?
A relação entre ciclo menstrual e lesões de LCA ainda não é consenso na literatura científica, mas segue sendo discutida por especialistas. Segundo Marco Antônio, alterações hormonais podem provocar maior frouxidão ligamentar em determinadas fases do ciclo, o que potencialmente aumentaria o risco de entorses e lesões.
— Em determinada fase do ciclo menstrual, existe um certo relaxamento dos ligamentos, para facilitar inclusive o alongamento da pelve para o parto, coisas desse tipo. Esse afrouxamento propícia também mais lesões, porque propícia mais entorses do joelho. Isso é uma teoria também, mas que se discute muito.
O médico ressalta que, embora mais homens sejam submetidos a cirurgias de LCA em números absolutos, a incidência proporcional costuma ser maior no esporte feminino.
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Diferença do campo sintético e natural
As jogadoras que atuam no Brasil enfrentam diferentes condições de gramado ao longo da temporada, desde campos em más condições até os sintéticos. Com as Cabulosas, não é diferente.
Justamente para se adaptar aos diferentes tipos de superfície encontrados nas competições, a Toca da Raposa I, centro de treinamento do Cruzeiro Feminino, conta com campos de grama natural e sintética. Ao longo da temporada, as atletas realizam atividades em ambos os pisos.
Jogadoras do Cruzeiro em treino na Toca da Raposa I
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Questionado sobre a influência do tipo de gramado no risco de lesões, o especialista Dr. Marco Antônio explicou:
— O fato de se jogar em diferentes pisos não é tão importante, mas o quem importa é o tipo de calçado. Se joga com calçado que prende mais o pé no chão, as chuteiras eventualmente fazem isso, é claro que se o pé ficar mais preso, para dar mais estabilidade, eventualmente tem mais incidência de de torção no joelho.
O que o Cruzeiro pensa
Após os diagnósticos de Laura Felipe e Tainara, o Cruzeiro divulgou uma nota informando que vem aprofundando estudos para compreender a recorrência dos casos.
Em que pesem os já conhecidos fatores que fazem as lesões ligamentares no joelho serem mais recorrentes no futebol feminino, em comparação ao masculino, e a casualidade das contusões em questão, o clube ressalta que tem realizado um profundo estudo sobre as circunstâncias relacionadas a lesões sofridas pelas atletas com este diagnóstico. O Cruzeiro trabalha de maneira incessante para mitigar a incidência dessas lesões.
Ciente da recorrência da mesma lesão, a gestora do futebol feminino do Cruzeiro, Luiza Parreiras também afirmou que o clube entende como anormal e que vem trabalhando para chegar a um motivo para os traumas.
— A gente entende que não é somente uma infeliz coincidência. Exatamente pelo alto índice de lesões que a gente tem sofrido até agora… É buscar informações de GPS, controle de carga, monitoramento de sono, humor, ciclo menstrual, percentual de gordura, hidratação pré e pós-jogo, todo o trabalho psicológico, de força. Utilizando para chegar a uma conclusão e entender as reais causas.
Cruzeiro x Corinthians Brasileiro Feminino
Gustavo Martins/ Cruzeiro
— Sabemos que a lesão de LCA no feminino tem maior incidência por questões fisiológicas, mas a gente trabalha para poder minimizar e reduzir. Agora a gente foi impactado por tudo isso, tem nos preocupado. O que a gente tem feito é evolver todo o departamento de futebol do Cruzeiro, o masculino e o feminino, tentando achar causas para que a gente possa implementar mudanças necessárias. No momento, a gente não tem a conclusão, mas está trabalhando para que, nas próximas semanas, consiga apresentar e falar sobre.
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