Villa Nova quase sumiu do mapa até virar SAF
O Leão do Bonfim quase virou apenas lembrança. Campeão da Série B de 1971 e com passagens pela elite nacional, o centenário Villa Nova viu uma dívida milionária ameaçar uma história que atravessa gerações em Nova Lima. Sem divisão no Brasileiro e rebaixado no Mineiro, o clube encontrou na SAF e na ajuda de um dirigente famoso no futebol um caminho para sobreviver — e, agora, tenta voltar a sonhar.
Mas, antes de voltar a sonhar, o processo foi difícil. E doeu principalmente em quem acompanhou tudo de perto. Thiago Tito, torcedor do Villa há quase 30 anos, viu o clube perder espaço, cair no Estadual e desaparecer do calendário nacional. Ao lembrar daquele período e comparar com o momento atual, se emociona.
“O torcedor que é torcedor vivenciou todos esses momentos. Nós vivemos momentos que a gente achou que realmente o Villa ia acabar, era o fim.”
Thiago Tito, torcedor do Villa Nova
Villa Nova
Não era apenas uma sensação provocada pelos resultados dentro de campo. Fora dele, faltava dinheiro até para o básico.
– Eram dívidas atrás de dívidas. Gestões que falavam que iriam resgatar o clube e, pelo contrário, jogavam mais para o fundo do poço. Nós, torcedores, já chegamos a fazer vaquinha para comprar toalha para os atletas, vaquinha para pagar lavadeira para lavar os uniformes, porque nem os funcionários estavam recebendo. Eles não estavam indo para o estádio trabalhar. A gente viveu momentos em que não acreditava que o Villa iria superar.
Foi nesse período que um canto repetido pela torcida ganhou outro significado:
“Quem falou que o Villa morreu se enganou. O Villa não morreu, nem morrerá. Deixa a danada da língua do povo falar.”
Torcedor do Villa Nova revela vaquinhas para ajudar time em crise
A saga do comprador
A saída encontrada pelo Villa para não “morrer” começou a ser desenhada há mais de três anos. A transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) era vista internamente como uma possibilidade de manter vivo o clube centenário e, quem sabe, recolocá-lo no cenário nacional.
A aprovação, porém, resolveu apenas a primeira parte do problema. Faltava encontrar alguém disposto a assumir o desafio.
E não era exatamente um negócio fácil de vender.
Quando Renato Valentim conheceu a realidade do Villa Nova, encontrou mais de cem credores, uma dívida milionária – grande parte trabalhista – e pouca estrutura para gerar receita. O próprio empresário resume o cenário que encontrou:
“Não foi fácil, não tinha nada. Tinha uma camisa, um logo e nem cadeira tinha aqui no centro de treinamento.”
Renato Valentim, dono do Boston City
Villa Nova
Fundador do Boston City, nos Estados Unidos, Renato já tinha experiência no futebol brasileiro. A franquia chegou ao país por Manhuaçu, no interior de Minas Gerais, e posteriormente o empresário também adquiriu o Americano, do Rio de Janeiro, ao lado do ex-jogador Felipe Melo.
O Villa, porém, não estava inicialmente nos planos. Renato recusou mais de uma vez até mesmo conversar sobre o negócio. Foi preciso a insistência de um velho conhecido do futebol mineiro para fazê-lo sentar à mesa: Alexandre Mattos.
Ex-dirigente de Cruzeiro e Palmeiras, Mattos havia trabalhado no Boston City, nos Estados Unidos, e insistiu para que o amigo pelo menos conhecesse o projeto.
– Pessoas me contactaram e, no início, falei não várias vezes. Não queria nem conversar. O Alexandre Mattos, um grande amigo, insistiu várias vezes. Ele me ligou e falou: “Renato, você deve ouvir os caras. Pelo menos ouve o que eles têm a oferecer”.
Memórias do título da Série B de 1971
Danny Paiva/ge
A conversa que Renato não queria ter terminou em um aporte previsto de R$ 30 milhões e no início de uma nova fase para o Villa Nova. E Antes de pensar em voltar a disputar competições nacionais ou recuperar o protagonismo dentro de campo, a prioridade era pagar as dívidas.
Após a recuperação judicial, o passivo ficou em cerca de R$ 8 milhões. Segundo Valentim, aproximadamente 70% correspondem a débitos trabalhistas, com previsão de pagamento ainda em 2026. O restante foi parcelado para os próximos anos.
– O Villa tinha uma dívida muito alta para um clube do interior, mas 70% da dívida será paga até o próximo mês. E o restante, os outros 30%, temos mais sete, oito anos para pagar. Então, vai ficar bem. O próximo ano será mais tranquilo nessa parte de investimento e de dívidas a serem pagas.
O futuro
Com parte do problema financeiro encaminhada, a SAF pôde começar a olhar para aquilo que havia ficado para trás durante os anos de crise. Centro de treinamento e estádio receberam melhorias. As categorias de base, desativadas havia anos, começaram a ser retomadas.
A formação de jogadores é um dos pilares do Boston City e terá papel importante também no novo Villa Nova. A ideia é aproveitar a estrutura dos clubes administrados pelo grupo e fazer do Leão uma vitrine para esses atletas.
– A gente tem o propósito de investir na formação de base aqui. Estamos preparando para aplicar o certificado de clube formador, que a gente já tem no Boston. A gente focou realmente no Villa na parte profissional. O projeto é usar o Villa como vitrine para esses atletas.
Mas, para ser vitrine, o Villa precisa de algo que não tem desde 2020: calendário nacional. O Leão disputou a Série D naquele ano e não passou da fase de grupos. Desde então, desapareceu das quatro divisões do Campeonato Brasileiro.
O primeiro passo para mudar essa realidade já foi dado. O clube conquistou o acesso de volta à elite do Campeonato Mineiro e terá a oportunidade de buscar uma vaga na Série D. A ambição da SAF, porém, vai além: chegar à Série B nos próximos anos.
– A gente vai buscar uma divisão nacional. Esse é o projeto a partir do momento que a gente subiu. Hoje temos quase 500 atletas na base dos três clubes (Villa, Americano e Boston). Com essa quantidade de atletas na base, a gente precisa de um clube disputando campeonato, tendo um calendário cheio durante o ano.
“A gente está saindo da UTI”
Se calendário e formação são importantes para sustentar o novo Villa, Renato Valentim sabe que a torcida é algo que precisa ter por perto. O Leão ainda tem seus fiéis seguidores e carrega uma relação de mais de um século com Nova Lima. Mas os anos de crise, dívidas e resultados ruins também machucaram essa relação e afastaram gente do Alçapão do Bonfim. Agora, a SAF quer trazer essas pessoas de volta.
– Quando o paciente está na UTI e já não tem mais esperança com ele, ninguém vai lá nem visitar. Eu faço essa comparação porque acredito muito que, saindo agora da UTI, as pessoas vão abraçar a gente novamente. Vão nos apoiar. Foi uma cobrança que fiz muito durante os playoffs do Mineiro esse ano. A gente precisa deles no estádio, sendo o nosso 12º jogador. E isso não só com o profissional. A gente precisa deles apoiando as categorias de base também.
A tentativa de recuperar esse vínculo não passa apenas por quem já torce pelo Villa. O clube também olha para quem ainda pode começar a torcer. E é justamente aí que aparece um dos planos mais ambiciosos da nova gestão.
Os planos da SAF preveem que o tradicional Castor Cifuentes, o Alçapão do Bonfim, deixe de ser a casa principal do Villa no futuro. O estádio está cedido à SAF pelos próximos 30 anos, mas o clube projeta construir uma nova arena em Nova Lima, com capacidade para 16 mil pessoas. Atualmente, o Castor pode receber pouco mais de cinco mil torcedores.
Estádio Municipal Castor Cifuentes, Nova Lima
Danny Paiva/ge
O projeto não é pensado apenas para os dias de jogos. Uma das ideias é fazer do novo espaço um ponto de encontro e aproximar uma geração que não viveu os principais momentos do Villa.
– É necessário que nós tenhamos uma renovação também da nossa torcida. A geração nova é importantíssima para criarmos essa identidade do torcedor jovem, trazendo algo que possa atrair. Nesse projeto nós planejamos colocar na esplanada do estádio uma pista de skate profissional. O que isso traz? Traz um pertencimento dessa geração nova com aquele equipamento esportivo. Às vezes, ele estará frequentando com um propósito que não seja diretamente o futebol, mas entende que é o Villa Nova, enquanto clube de futebol na sua essência, que está proporcionando essa oportunidade – detalhou Sérgio Pinheiro, CEO do Villa Nova.
O tamanho da nova casa também acompanha aquilo que o Villa pretende ser dentro de campo. A SAF trabalha com a perspectiva de crescimento nas divisões nacionais e entende que o atual estádio poderia se tornar um obstáculo caso o clube alcance competições maiores. O objetivo é evitar que, justamente no momento de voltar ao cenário nacional, o Leão precise deixar Nova Lima para mandar seus jogos.
– O nosso planejamento é estar em permanente acesso, não só no Campeonato Mineiro, mas também nas competições nacionais. E, para que isso aconteça, jogando dentro da nossa casa, dentro da nossa cidade, próximo da nossa torcida, é importantíssimo que nós tenhamos um estádio preparado para receber esses jogos. Existem exigências da CBF, exigências da Conmebol, e isso pode virar um gargalo se a gente não antecipar essas ações.
CEO do Villa explica como está o Alçapão do Bonfim
É um cenário ambicioso e muito diferente daquele encontrado no início da SAF. O clube que, nas palavras de Renato Valentim, não tinha “nem cadeira” no centro de treinamento agora projeta um estádio, sonha com calendário nacional e traça como objetivo chegar alto do Campeonato Brasileiro.
Para quem acompanhou o Leão do Bonfim quando até continuar existindo parecia incerto, poder voltar a fazer planos já significa muita coisa.
Thiago Tito viveu os dois lados dessa história. Fez parte de uma torcida que precisou arrecadar dinheiro para comprar toalhas e pagar quem lavasse os uniformes dos jogadores. Agora, vê o mesmo clube falar em estádio novo e retorno ao cenário nacional. Para ele, o ressurgimento do Villa ultrapassa os muros do clube.
“O Villa é uma grande paixão aqui da cidade. Esse ano foi de muita alegria, e a gente espera que essa alegria permaneça, porque a gente fala que, quando o Villa está bem, a cidade de Nova Lima toda está bem. O comércio vai bem, a população está em alegria.”
O Leão do Bonfim quase virou apenas lembrança. Campeão da Série B de 1971 e com passagens pela elite nacional, o centenário Villa Nova viu uma dívida milionária ameaçar uma história que atravessa gerações em Nova Lima. Sem divisão no Brasileiro e rebaixado no Mineiro, o clube encontrou na SAF e na ajuda de um dirigente famoso no futebol um caminho para sobreviver — e, agora, tenta voltar a sonhar.
Mas, antes de voltar a sonhar, o processo foi difícil. E doeu principalmente em quem acompanhou tudo de perto. Thiago Tito, torcedor do Villa há quase 30 anos, viu o clube perder espaço, cair no Estadual e desaparecer do calendário nacional. Ao lembrar daquele período e comparar com o momento atual, se emociona.
“O torcedor que é torcedor vivenciou todos esses momentos. Nós vivemos momentos que a gente achou que realmente o Villa ia acabar, era o fim.”
Thiago Tito, torcedor do Villa Nova
Villa Nova
Não era apenas uma sensação provocada pelos resultados dentro de campo. Fora dele, faltava dinheiro até para o básico.
– Eram dívidas atrás de dívidas. Gestões que falavam que iriam resgatar o clube e, pelo contrário, jogavam mais para o fundo do poço. Nós, torcedores, já chegamos a fazer vaquinha para comprar toalha para os atletas, vaquinha para pagar lavadeira para lavar os uniformes, porque nem os funcionários estavam recebendo. Eles não estavam indo para o estádio trabalhar. A gente viveu momentos em que não acreditava que o Villa iria superar.
Foi nesse período que um canto repetido pela torcida ganhou outro significado:
“Quem falou que o Villa morreu se enganou. O Villa não morreu, nem morrerá. Deixa a danada da língua do povo falar.”
Torcedor do Villa Nova revela vaquinhas para ajudar time em crise
A saga do comprador
A saída encontrada pelo Villa para não “morrer” começou a ser desenhada há mais de três anos. A transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) era vista internamente como uma possibilidade de manter vivo o clube centenário e, quem sabe, recolocá-lo no cenário nacional.
A aprovação, porém, resolveu apenas a primeira parte do problema. Faltava encontrar alguém disposto a assumir o desafio.
E não era exatamente um negócio fácil de vender.
Quando Renato Valentim conheceu a realidade do Villa Nova, encontrou mais de cem credores, uma dívida milionária – grande parte trabalhista – e pouca estrutura para gerar receita. O próprio empresário resume o cenário que encontrou:
“Não foi fácil, não tinha nada. Tinha uma camisa, um logo e nem cadeira tinha aqui no centro de treinamento.”
Renato Valentim, dono do Boston City
Villa Nova
Fundador do Boston City, nos Estados Unidos, Renato já tinha experiência no futebol brasileiro. A franquia chegou ao país por Manhuaçu, no interior de Minas Gerais, e posteriormente o empresário também adquiriu o Americano, do Rio de Janeiro, ao lado do ex-jogador Felipe Melo.
O Villa, porém, não estava inicialmente nos planos. Renato recusou mais de uma vez até mesmo conversar sobre o negócio. Foi preciso a insistência de um velho conhecido do futebol mineiro para fazê-lo sentar à mesa: Alexandre Mattos.
Ex-dirigente de Cruzeiro e Palmeiras, Mattos havia trabalhado no Boston City, nos Estados Unidos, e insistiu para que o amigo pelo menos conhecesse o projeto.
– Pessoas me contactaram e, no início, falei não várias vezes. Não queria nem conversar. O Alexandre Mattos, um grande amigo, insistiu várias vezes. Ele me ligou e falou: “Renato, você deve ouvir os caras. Pelo menos ouve o que eles têm a oferecer”.
Memórias do título da Série B de 1971
Danny Paiva/ge
A conversa que Renato não queria ter terminou em um aporte previsto de R$ 30 milhões e no início de uma nova fase para o Villa Nova. E Antes de pensar em voltar a disputar competições nacionais ou recuperar o protagonismo dentro de campo, a prioridade era pagar as dívidas.
Após a recuperação judicial, o passivo ficou em cerca de R$ 8 milhões. Segundo Valentim, aproximadamente 70% correspondem a débitos trabalhistas, com previsão de pagamento ainda em 2026. O restante foi parcelado para os próximos anos.
– O Villa tinha uma dívida muito alta para um clube do interior, mas 70% da dívida será paga até o próximo mês. E o restante, os outros 30%, temos mais sete, oito anos para pagar. Então, vai ficar bem. O próximo ano será mais tranquilo nessa parte de investimento e de dívidas a serem pagas.
O futuro
Com parte do problema financeiro encaminhada, a SAF pôde começar a olhar para aquilo que havia ficado para trás durante os anos de crise. Centro de treinamento e estádio receberam melhorias. As categorias de base, desativadas havia anos, começaram a ser retomadas.
A formação de jogadores é um dos pilares do Boston City e terá papel importante também no novo Villa Nova. A ideia é aproveitar a estrutura dos clubes administrados pelo grupo e fazer do Leão uma vitrine para esses atletas.
– A gente tem o propósito de investir na formação de base aqui. Estamos preparando para aplicar o certificado de clube formador, que a gente já tem no Boston. A gente focou realmente no Villa na parte profissional. O projeto é usar o Villa como vitrine para esses atletas.
Mas, para ser vitrine, o Villa precisa de algo que não tem desde 2020: calendário nacional. O Leão disputou a Série D naquele ano e não passou da fase de grupos. Desde então, desapareceu das quatro divisões do Campeonato Brasileiro.
O primeiro passo para mudar essa realidade já foi dado. O clube conquistou o acesso de volta à elite do Campeonato Mineiro e terá a oportunidade de buscar uma vaga na Série D. A ambição da SAF, porém, vai além: chegar à Série B nos próximos anos.
– A gente vai buscar uma divisão nacional. Esse é o projeto a partir do momento que a gente subiu. Hoje temos quase 500 atletas na base dos três clubes (Villa, Americano e Boston). Com essa quantidade de atletas na base, a gente precisa de um clube disputando campeonato, tendo um calendário cheio durante o ano.
“A gente está saindo da UTI”
Se calendário e formação são importantes para sustentar o novo Villa, Renato Valentim sabe que a torcida é algo que precisa ter por perto. O Leão ainda tem seus fiéis seguidores e carrega uma relação de mais de um século com Nova Lima. Mas os anos de crise, dívidas e resultados ruins também machucaram essa relação e afastaram gente do Alçapão do Bonfim. Agora, a SAF quer trazer essas pessoas de volta.
– Quando o paciente está na UTI e já não tem mais esperança com ele, ninguém vai lá nem visitar. Eu faço essa comparação porque acredito muito que, saindo agora da UTI, as pessoas vão abraçar a gente novamente. Vão nos apoiar. Foi uma cobrança que fiz muito durante os playoffs do Mineiro esse ano. A gente precisa deles no estádio, sendo o nosso 12º jogador. E isso não só com o profissional. A gente precisa deles apoiando as categorias de base também.
A tentativa de recuperar esse vínculo não passa apenas por quem já torce pelo Villa. O clube também olha para quem ainda pode começar a torcer. E é justamente aí que aparece um dos planos mais ambiciosos da nova gestão.
Os planos da SAF preveem que o tradicional Castor Cifuentes, o Alçapão do Bonfim, deixe de ser a casa principal do Villa no futuro. O estádio está cedido à SAF pelos próximos 30 anos, mas o clube projeta construir uma nova arena em Nova Lima, com capacidade para 16 mil pessoas. Atualmente, o Castor pode receber pouco mais de cinco mil torcedores.
Estádio Municipal Castor Cifuentes, Nova Lima
Danny Paiva/ge
O projeto não é pensado apenas para os dias de jogos. Uma das ideias é fazer do novo espaço um ponto de encontro e aproximar uma geração que não viveu os principais momentos do Villa.
– É necessário que nós tenhamos uma renovação também da nossa torcida. A geração nova é importantíssima para criarmos essa identidade do torcedor jovem, trazendo algo que possa atrair. Nesse projeto nós planejamos colocar na esplanada do estádio uma pista de skate profissional. O que isso traz? Traz um pertencimento dessa geração nova com aquele equipamento esportivo. Às vezes, ele estará frequentando com um propósito que não seja diretamente o futebol, mas entende que é o Villa Nova, enquanto clube de futebol na sua essência, que está proporcionando essa oportunidade – detalhou Sérgio Pinheiro, CEO do Villa Nova.
O tamanho da nova casa também acompanha aquilo que o Villa pretende ser dentro de campo. A SAF trabalha com a perspectiva de crescimento nas divisões nacionais e entende que o atual estádio poderia se tornar um obstáculo caso o clube alcance competições maiores. O objetivo é evitar que, justamente no momento de voltar ao cenário nacional, o Leão precise deixar Nova Lima para mandar seus jogos.
– O nosso planejamento é estar em permanente acesso, não só no Campeonato Mineiro, mas também nas competições nacionais. E, para que isso aconteça, jogando dentro da nossa casa, dentro da nossa cidade, próximo da nossa torcida, é importantíssimo que nós tenhamos um estádio preparado para receber esses jogos. Existem exigências da CBF, exigências da Conmebol, e isso pode virar um gargalo se a gente não antecipar essas ações.
CEO do Villa explica como está o Alçapão do Bonfim
É um cenário ambicioso e muito diferente daquele encontrado no início da SAF. O clube que, nas palavras de Renato Valentim, não tinha “nem cadeira” no centro de treinamento agora projeta um estádio, sonha com calendário nacional e traça como objetivo chegar alto do Campeonato Brasileiro.
Para quem acompanhou o Leão do Bonfim quando até continuar existindo parecia incerto, poder voltar a fazer planos já significa muita coisa.
Thiago Tito viveu os dois lados dessa história. Fez parte de uma torcida que precisou arrecadar dinheiro para comprar toalhas e pagar quem lavasse os uniformes dos jogadores. Agora, vê o mesmo clube falar em estádio novo e retorno ao cenário nacional. Para ele, o ressurgimento do Villa ultrapassa os muros do clube.
“O Villa é uma grande paixão aqui da cidade. Esse ano foi de muita alegria, e a gente espera que essa alegria permaneça, porque a gente fala que, quando o Villa está bem, a cidade de Nova Lima toda está bem. O comércio vai bem, a população está em alegria.”