Argentina mantém rotina de dramas, mas segue viva em busca do tetra

Os jogos da Argentina nesta Copa do Mundo têm despertado duplas sensações. Exaltar o espírito de luta e o potencial de decisão do time sob alta pressão, ou ponderar os muitos altos e baixos vistos diante de adversários inferiores tecnicamente? Foi assim contra Cabo Verde, Egito, e agora diante da Suíça, que acabou derrotada por 3×1 na prorrogação, após ficar com um a menos desde a 2ª etapa.
Embolo foi expulso no melhor momento da Suíça no jogo. O time europeu havia acabado de empatar e era superior aos argentinos. Acabou levando dois gols no 2º tempo de prorrogação e sucumbindo a uma Argentina repleta de atacantes. A Copa do Mundo verá mais um confronto entre argentinos e ingleses, o sexto da história do Mundial.
Escalações
Lionel Scaloni repetiu a escalação que iniciou contra o Egito. Paredes proporcionou mais liberdade a Mac Allister. Murat Yakin fez apenas uma troca em relação ao time que começou contra a Colômbia. Djibril Sow partiu do lado direito e Rieder foi o meia-central. Jashari foi para o banco. Manzambi seguiu como grande desfalque.
Como Argentina e Suíça iniciaram o duelo que fechou as quartas de final da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
A forma como Lionel Messi magnetiza o sucesso argentino foi vista de forma precoce em Kansas City. Sua seleção vinha sofrendo para pisar no campo de ataque, mas bastou ele receber uma bola perto da área, aos nove minutos, para a partida começar a se transformar. Achou Mac Allister, que foi travado na finalização e a Albiceleste teve dois escanteios em sequência.
Uma das cobranças perfeita do camisa 10 no primeiro pau encontrou a cabeça de Mac Allister, que subiu entre os gigantes suíços com seus 1,76m, e desviou para colocar a Argentina no comando do placar. O gol cedo e a própria postura suíça desde que a bola rolou acabaram pavimentando o cenário da 1ª etapa.
Os europeus assumiram as rédeas da partida. Subiram a marcação de forma individualizada, forçaram muitas ligações diretas de ”Dibu” Martinez sem qualquer efeito prático, e tiveram a posse dentro do campo sul-americano. O problema foi construir. A Argentina marcava atrás, via-se sem saída muitas vezes, mas tinha uma abordagem muito forte e bom posicionamento para proteger a área.
Tanto que apenas Djibril Sow, em chute da entrada da área, e Embolo, tentando alcançar uma bola em profundidade, levaram algum perigo. De resto, apenas circulação sem tanta ideia do que fazer para penetrar. Ndoye, sempre bem aberto pela esquerda, causou algum incômodo, mas não conseguia se conectar com Rieder. O mesmo se aplica a Zakaria pela direita. Djibril Sow circulava para o meio.
Mac Allister gol Argentina Suíça
Jay Biggerstaff/Reuters
Embolo travava uma batalha física com Lisandro Martinez. Xhaka não via tantas possibilidades de verticalizar seus passes. Freuler era tímido e impreciso. No lado argentino, apesar de não gerar vantagem ao tentar ser acionado em profundidade, Julián Álvarez incomodou os suíços que iniciavam os ataques com bastante ”pegada” na abordagem de marcação.
Se Mac Allister atacava mais por dentro, voltava marcando pela esquerda, dobrando a marcação com Tagliafico. Enzo Fernández fechava o centro como volante, ao lado de Paredes. Nos poucos momentos em que a Argentina entrou em fase ofensiva, Enzo se posicionou como meia-esquerda.
A Argentina conseguiu achar maneiras de atacar logo no início do 2º tempo. Se beneficiou de uma marcação menos rígida da Suíça em sua saída. Molina foi ótima peça para gerar profundidade pela direita. Messi tocou mais vezes na bola e Julián Álvarez pôde, enfim, finalizar. Ele e Molina arremataram de média distância com algum perigo.
Lisandro Martínez e Xhaka discutem em Suíça x Argentina
Jay Biggerstaff/Reuters
A Suíça voltou a pressionar depois dos 15 minutos. Liberou mais avanços de Ricardo Rodriguez pela esquerda também. O lateral acertou dois cruzamentos que quase terminaram em gols de Embolo e Ndoye. Martinez fez ótimas defesas. Na sequência, ”Dibu” voltou a trabalhar bem em chute de Xhaka no canto esquerdo.
As combinações pelo lado esquerdo encaixaram. Ndoye recebeu aberto e tabelou com Ricardo Rodriguez. A devolução perfeita do lateral deixou o ponta na cara do gol, e a finalização entrou embaixo das pernas de Martinez. Molina e De Paul estiveram muito passivos no lance.
A Argentina parecia novamente sem saída. Acuada na própria área, marcando mal e sem contragolpe. Até que Embolo entrou em ação. Simulou uma falta em disputa com Paredes e levou o segundo amarelo, deixando a Suíça com apenas dez homens em campo.
Embolo é expulso depois de revisão no VAR que identificou simulação do atacante da Suíça contra a Argentina
Albert Gea/Reuters
Scaloni colocou Nico González no lugar de Tagliafico. Uma opção mais aguda pela esquerda diante de uma Suíça que certamente passaria a se fechar. Tanto que depois da parada para hidratação Murat Yakin montou sua equipe num 5-3-1. Djibril Sow passou para a ala-esquerda. Zakaria fez a ala-direita e Ricardo Rodriguez trabalhou num trio de zaga com Akanji e Elvedi.
Xhaka, Freuler e Rieder montaram um tripé de meio, e Ndoye foi o atacante isolado. Messi perdeu uma grande chance de resolver o jogo no tempo normal ao receber um passe por elevação primoroso de Paredes. Tentou encobrir Kobel, que fez a defesa. Logo depois foi a vez de Mac Allister ser atrapalhado por Elvedi no momento em que completaria o cruzamento de Nico González na pequena área.
Montiel e Lautaro Martinez entraram perto dos 40 minutos. Molina e De Paul saíram. A área suíça ficou mais ocupada. Murat Yakin fez três mexidas. Widmer e Miro Muheim passaram a ser os alas ao substituírem Rieder e Djibril Sow. Zakaria foi jogar no meio-campo. Na frente, Ndoye deu lugar a Amdouni. Já nos acréscimos, foi a vez de Comert compor a zaga no lugar de Ricardo Rodriguez.
A Argentina ficou rondando a área, trocando passes até encontrar alguma brecha ou fazer Messi provocá-la. Ele esteve envolvido em mais dois lances de perigo antes da prorrogação. Chutou de direita uma bola que tirou tinta da trave esquerda, e bateu o escanteio que terminou em voleio de Lisandro Martinez no canto. Kobel fez outra grande defesa.
Messi com a faixa de luto no braço direito
Reuters/Jay Biggerstaff
Enzo Fernández teve atuação discreta e não voltou para a prorrogação. Almada entrou. O time melhorou a produção com o meia do Atlético de Madrid, que finalizou duas vezes com muito perigo em menos de cinco minutos em campo. Ele e Messi buscaram trocar passes na intermediária e descobrir espaços entre os meias suíços.
Jashari substituiu o exausto Zakaria na Suíça. No intervalo da prorrogação, Otamendi entrou no lugar de Cristian Romero. Pouco depois, Lionel Scaloni deu o ”all in”. Flaco López entrou e Paredes saiu. Mac Allister passou a ser o meio-campista mais recuado. O trio de atacantes por dentro da defesa suíça funcionou aos sete minutos do 2º tempo da prorrogação.
Julian Álvarez recebeu de Flaco López no bico esquerdo da grande área e mandou uma bomba no ângulo esquerdo de Kobel. Já com Ruben Vargas em campo – Freuler saiu -, a Suíça se lançou ao ataque e alçou bolas na área. Se expôs, e viu Lautaro Martinez selar o resultado em contragolpe puxado por Thiago Almada.