Marcelo Paz sobre a escolha de Seedorf: “Identificamos que é um líder, um vencedor”
O Corinthians surpreendeu a Fiel, o Brasil e o mundo inteiro ao anunciar Clarence Seedorf como seu novo treinador.
+ Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp
Com contrato até o fim de 2027, o holandês foi bancado pelo executivo Marcelo Paz e assume a missão de afastar a equipe do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O time ainda recolhe os cacos da goleada de 4 a 1 para o Palmeiras, no Nubank Parque.
+ Bastidores: Marcelo Paz escolheu Seedorf depois de recusas, e decisão dividiu o Corinthians
A surpresa veio pelo nome, cogitado após várias recusas, e pelo fato de Seedorf não comandar uma equipe desde 2019.
Sua primeira experiência no banco aconteceu em 2014, no Milan, pouco depois de encerrar a carreira como jogador. Depois, trabalhou no Shenzhen, da China, retornou à Europa para dirigir o Deportivo La Coruña e assumiu a seleção de Camarões. Ao todo, foram 63 partidas.
Corinthians anuncia Seedorf
Divulgação / Corinthians
Mais notícias do Corinthians:
+ Gabriel Paulista chora e detona diretoria do Corinthians
+ Seedorf pede apoio da torcida do Corinthians
Com uma carreira tão curta e jogos de tantos anos atrás, como analisar suas ideias táticas? O ge reuniu entrevistas e declarações do holandês à imprensa europeia e à FIFA para entender o que ele pensa como treinador.
As falas abordam posse de bola, ataque, defesa, treinamento e decisões durante as partidas. Organizadas em dez temas, ajudam a conhecer as ideias que o ex-meia, que foi gigante e craque em campo, pode levar ao Corinthians.
MODELO DE JOGO: TODOS ENTENDEM O QUE A EQUIPE PRECISA FAZER
Em entrevista para a Revista Panenka, em abril de 2016, Seedorf definiu seu estilo como “futebol total” e disse que pretende inserir uma forma de jogar mesmo em momentos difíceis, como o Timão está hoje.
“O futebol total significa que todos os jogadores, inclusive o goleiro, pensam da mesma maneira. Buscam as mesmas soluções, reconhecem as mesmas dificuldades e têm uma boa comunicação entre si. Depois, existem jogadores em campo que precisam proteger essa filosofia e os pontos fortes da equipe: são os líderes, que preservam a identidade do time nos momentos difíceis.
Porque, às vezes, equipes que ainda não estão tão bem formadas têm um plano para sair jogando de trás, mas, quando não conseguem na primeira ou na segunda tentativa, acabam rifando a bola. Nesse momento, precisa haver um líder que diga: ‘Vamos continuar jogando dessa maneira, porque, se deixarmos de fazê-lo, o adversário mudará sua mentalidade”.
FORMAÇÃO TÁTICA: SEM SISTEMA DEFINIDO E SEM CENTROAVANTE DE REFERÊNCIA
“Pois é, o sistema de jogo, os números. Eles fascinam vocês, jornalistas, que poderiam discuti-los durante horas. Mas sabe qual é a verdade? No futebol moderno, o sistema existe apenas na fase defensiva. Na fase ofensiva, há uma fluidez total, com seis jogadores que se movimentam continuamente em sincronia, sem oferecer pontos de referência. Por isso, as perguntas sobre a formação me entediam.”
La Gazzetta dello Sport, 25/02/2014.
ATAQUE: ABRIR O CAMPO E APOIAR COM OS DEFENSORES
*Entrevista à Sky Sport Italia, reproduzida pelo Football Italia em 01/02/2014. Os sinais […] indicam cortes nos trechos citados.*
“É preciso abrir o jogo para alargar a defesa adversária. Isso exige paciência. A equipe não está dividida entre os atacantes e o restante, vamos evitar esse clichê. […] Com nossos defensores avançando para apoiar o ataque, é natural correr alguns riscos, mas é um risco calculado.”
VERTICALIZAÇÃO: USAR A POSSE PARA AVANÇAR E CRIAR CHANCES
“Verticalizar é fundamental para ganhar partidas. A posse de bola deve sempre servir para criar perigo, porque o objetivo é marcar gols. Para isso, é preciso ter jogadores com determinadas características. Cada treinador precisa entender seus jogadores, suas características, para que o estilo extraia o melhor deles. De modo geral, há treinadores muito bons em transmitir essa filosofia e fazer com que os jogadores a executem durante os 90 minutos. Vejo isso, por exemplo, em equipes como o Arsenal e o PSG.”
*Panenka, entrevista de abril de 2016, republicada em trechos em 06/02/2018.*
DEFESA: EQUILIBRAR A SAÍDA DE BOLA COM A CAPACIDADE DE DEFENDER
“Agora, eles precisam ter qualidade com os pés e iniciar as jogadas, e isso parece mais importante do que saber defender. Nesse ponto, seria necessário encontrar o equilíbrio adequado. Você pode acrescentar uma capacidade melhor de controlar a bola na saída à sua capacidade de defender, tanto individualmente quanto como setor. É por isso que vemos poucos defensores de altíssimo nível por aí. Porque, nas categorias de base, já não se dá essa atenção à fase defensiva.”
*Rivista Undici, 10/09/2018. Seedorf se refere aos defensores.*
TREINAMENTO: ALTA INTENSIDADE E PREPARAÇÃO MENTAL
“Se você não tiver a mentalidade adequada, não conseguirá se expressar fisicamente no seu máximo. O treinamento físico é um treinamento mental, porque você precisa ultrapassar seus limites, precisa ir além para melhorar. Dedico muito tempo ao aspecto mental, à comunicação, para criar uma mentalidade vencedora e promover a evolução individual. Então, eu estimulo o jogador, uso a tecnologia, mas também uso a tecnologia para que ele possa se comparar consigo mesmo. Nas minhas equipes, o treinamento é de alta intensidade, e isso precisa se tornar algo normal. Claro, é preciso encher um pouco o saco, com a ajuda da comissão técnica, mas isso serve para estimular os jogadores.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*
DECISÕES EM CAMPO: JOGADORES CAPAZES DE RESOLVER PROBLEMAS
“É preciso fazer os jogadores usarem a cabeça, estimular suas escolhas e sua capacidade de resolver problemas.Não quero jogadores que olhem o tempo todo para o banco para saber o que fazer ou o que deixar de fazer. É claro que o treinador tem um papel importante, a partir do banco, para preservar o plano de jogo. Mas, se estiver bem preparada, a equipe deveria saber o que fazer.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*
SUBSTITUIÇÕES: QUEM ENTRA MANTÉM A EQUIPE ATACANDO
“Outra coisa que sempre gosto de fazer é preparar minhas substituições, principalmente no ataque. Gosto que os jogadores que entram continuem dando à equipe o impulso para atacar e marcar gols, que é a melhor maneira de defender na minha filosofia, em vez de recuar e deixar a bola com o adversário, convidando-o a se aproximar do nosso gol.”
*The Coaches’ Voice, explicação sobre Athletic Bilbao 2 a 3 Deportivo, partida de 14/04/2018. Tradução da transcrição anexada, com retirada de hesitações e repetições da fala.*
ADAPTAÇÃO: ENCONTRAR SOLUÇÕES QUANDO O ADVERSÁRIO DIFICULTA O JOGO
“É claro que as identidades devem ser preservadas: você deve jogar um bom futebol e buscar atuar dentro da sua filosofia, mas o adversário nem sempre permitirá que você jogue como gostaria. O que você faz nessa situação? É aí que está o potencial de evolução dos holandeses.”
*FIFA, 20/05/2019. Seedorf comenta a seleção holandesa enquanto trabalha como técnico de Camarões.*
PAPEL DO TREINADOR: CRIAR AS CONDIÇÕES PARA A EQUIPE VENCER
Posso dizer que conheço os ingredientes necessários para ser competitivo e criar as condições para vencer. Porque, no ambiente do futebol, usa-se muito a palavra vencer. Vencer, vencer, vencer. Mas o que significa vencer? O que você precisa fazer para vencer? Todos querem vencer, você e seus adversários.
Quais comportamentos você precisa ter antes do treinamento, durante o treinamento e depois do treinamento? Como se comporta em casa, fora de casa, quais são os elementos que o colocam em condições de apresentar seu melhor desempenho? Esse é um trabalho para os jogadores, mas, como treinador, você precisa estimular, orientar e criar as condições para que jogadores e comissão técnica se sintam inspirados a buscar sempre o seu melhor, a sua excelência.
Porque, quando você joga ou treina grandes equipes, e para mim isso também vale para as médias e pequenas, como atleta, precisa buscar a excelência todos os dias. Só assim se criam as condições para ser competitivo.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*
O Corinthians surpreendeu a Fiel, o Brasil e o mundo inteiro ao anunciar Clarence Seedorf como seu novo treinador.
+ Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp
Com contrato até o fim de 2027, o holandês foi bancado pelo executivo Marcelo Paz e assume a missão de afastar a equipe do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O time ainda recolhe os cacos da goleada de 4 a 1 para o Palmeiras, no Nubank Parque.
+ Bastidores: Marcelo Paz escolheu Seedorf depois de recusas, e decisão dividiu o Corinthians
A surpresa veio pelo nome, cogitado após várias recusas, e pelo fato de Seedorf não comandar uma equipe desde 2019.
Sua primeira experiência no banco aconteceu em 2014, no Milan, pouco depois de encerrar a carreira como jogador. Depois, trabalhou no Shenzhen, da China, retornou à Europa para dirigir o Deportivo La Coruña e assumiu a seleção de Camarões. Ao todo, foram 63 partidas.
Corinthians anuncia Seedorf
Divulgação / Corinthians
Mais notícias do Corinthians:
+ Gabriel Paulista chora e detona diretoria do Corinthians
+ Seedorf pede apoio da torcida do Corinthians
Com uma carreira tão curta e jogos de tantos anos atrás, como analisar suas ideias táticas? O ge reuniu entrevistas e declarações do holandês à imprensa europeia e à FIFA para entender o que ele pensa como treinador.
As falas abordam posse de bola, ataque, defesa, treinamento e decisões durante as partidas. Organizadas em dez temas, ajudam a conhecer as ideias que o ex-meia, que foi gigante e craque em campo, pode levar ao Corinthians.
MODELO DE JOGO: TODOS ENTENDEM O QUE A EQUIPE PRECISA FAZER
Em entrevista para a Revista Panenka, em abril de 2016, Seedorf definiu seu estilo como “futebol total” e disse que pretende inserir uma forma de jogar mesmo em momentos difíceis, como o Timão está hoje.
“O futebol total significa que todos os jogadores, inclusive o goleiro, pensam da mesma maneira. Buscam as mesmas soluções, reconhecem as mesmas dificuldades e têm uma boa comunicação entre si. Depois, existem jogadores em campo que precisam proteger essa filosofia e os pontos fortes da equipe: são os líderes, que preservam a identidade do time nos momentos difíceis.
Porque, às vezes, equipes que ainda não estão tão bem formadas têm um plano para sair jogando de trás, mas, quando não conseguem na primeira ou na segunda tentativa, acabam rifando a bola. Nesse momento, precisa haver um líder que diga: ‘Vamos continuar jogando dessa maneira, porque, se deixarmos de fazê-lo, o adversário mudará sua mentalidade”.
FORMAÇÃO TÁTICA: SEM SISTEMA DEFINIDO E SEM CENTROAVANTE DE REFERÊNCIA
“Pois é, o sistema de jogo, os números. Eles fascinam vocês, jornalistas, que poderiam discuti-los durante horas. Mas sabe qual é a verdade? No futebol moderno, o sistema existe apenas na fase defensiva. Na fase ofensiva, há uma fluidez total, com seis jogadores que se movimentam continuamente em sincronia, sem oferecer pontos de referência. Por isso, as perguntas sobre a formação me entediam.”
La Gazzetta dello Sport, 25/02/2014.
ATAQUE: ABRIR O CAMPO E APOIAR COM OS DEFENSORES
*Entrevista à Sky Sport Italia, reproduzida pelo Football Italia em 01/02/2014. Os sinais […] indicam cortes nos trechos citados.*
“É preciso abrir o jogo para alargar a defesa adversária. Isso exige paciência. A equipe não está dividida entre os atacantes e o restante, vamos evitar esse clichê. […] Com nossos defensores avançando para apoiar o ataque, é natural correr alguns riscos, mas é um risco calculado.”
VERTICALIZAÇÃO: USAR A POSSE PARA AVANÇAR E CRIAR CHANCES
“Verticalizar é fundamental para ganhar partidas. A posse de bola deve sempre servir para criar perigo, porque o objetivo é marcar gols. Para isso, é preciso ter jogadores com determinadas características. Cada treinador precisa entender seus jogadores, suas características, para que o estilo extraia o melhor deles. De modo geral, há treinadores muito bons em transmitir essa filosofia e fazer com que os jogadores a executem durante os 90 minutos. Vejo isso, por exemplo, em equipes como o Arsenal e o PSG.”
*Panenka, entrevista de abril de 2016, republicada em trechos em 06/02/2018.*
DEFESA: EQUILIBRAR A SAÍDA DE BOLA COM A CAPACIDADE DE DEFENDER
“Agora, eles precisam ter qualidade com os pés e iniciar as jogadas, e isso parece mais importante do que saber defender. Nesse ponto, seria necessário encontrar o equilíbrio adequado. Você pode acrescentar uma capacidade melhor de controlar a bola na saída à sua capacidade de defender, tanto individualmente quanto como setor. É por isso que vemos poucos defensores de altíssimo nível por aí. Porque, nas categorias de base, já não se dá essa atenção à fase defensiva.”
*Rivista Undici, 10/09/2018. Seedorf se refere aos defensores.*
TREINAMENTO: ALTA INTENSIDADE E PREPARAÇÃO MENTAL
“Se você não tiver a mentalidade adequada, não conseguirá se expressar fisicamente no seu máximo. O treinamento físico é um treinamento mental, porque você precisa ultrapassar seus limites, precisa ir além para melhorar. Dedico muito tempo ao aspecto mental, à comunicação, para criar uma mentalidade vencedora e promover a evolução individual. Então, eu estimulo o jogador, uso a tecnologia, mas também uso a tecnologia para que ele possa se comparar consigo mesmo. Nas minhas equipes, o treinamento é de alta intensidade, e isso precisa se tornar algo normal. Claro, é preciso encher um pouco o saco, com a ajuda da comissão técnica, mas isso serve para estimular os jogadores.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*
DECISÕES EM CAMPO: JOGADORES CAPAZES DE RESOLVER PROBLEMAS
“É preciso fazer os jogadores usarem a cabeça, estimular suas escolhas e sua capacidade de resolver problemas.Não quero jogadores que olhem o tempo todo para o banco para saber o que fazer ou o que deixar de fazer. É claro que o treinador tem um papel importante, a partir do banco, para preservar o plano de jogo. Mas, se estiver bem preparada, a equipe deveria saber o que fazer.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*
SUBSTITUIÇÕES: QUEM ENTRA MANTÉM A EQUIPE ATACANDO
“Outra coisa que sempre gosto de fazer é preparar minhas substituições, principalmente no ataque. Gosto que os jogadores que entram continuem dando à equipe o impulso para atacar e marcar gols, que é a melhor maneira de defender na minha filosofia, em vez de recuar e deixar a bola com o adversário, convidando-o a se aproximar do nosso gol.”
*The Coaches’ Voice, explicação sobre Athletic Bilbao 2 a 3 Deportivo, partida de 14/04/2018. Tradução da transcrição anexada, com retirada de hesitações e repetições da fala.*
ADAPTAÇÃO: ENCONTRAR SOLUÇÕES QUANDO O ADVERSÁRIO DIFICULTA O JOGO
“É claro que as identidades devem ser preservadas: você deve jogar um bom futebol e buscar atuar dentro da sua filosofia, mas o adversário nem sempre permitirá que você jogue como gostaria. O que você faz nessa situação? É aí que está o potencial de evolução dos holandeses.”
*FIFA, 20/05/2019. Seedorf comenta a seleção holandesa enquanto trabalha como técnico de Camarões.*
PAPEL DO TREINADOR: CRIAR AS CONDIÇÕES PARA A EQUIPE VENCER
Posso dizer que conheço os ingredientes necessários para ser competitivo e criar as condições para vencer. Porque, no ambiente do futebol, usa-se muito a palavra vencer. Vencer, vencer, vencer. Mas o que significa vencer? O que você precisa fazer para vencer? Todos querem vencer, você e seus adversários.
Quais comportamentos você precisa ter antes do treinamento, durante o treinamento e depois do treinamento? Como se comporta em casa, fora de casa, quais são os elementos que o colocam em condições de apresentar seu melhor desempenho? Esse é um trabalho para os jogadores, mas, como treinador, você precisa estimular, orientar e criar as condições para que jogadores e comissão técnica se sintam inspirados a buscar sempre o seu melhor, a sua excelência.
Porque, quando você joga ou treina grandes equipes, e para mim isso também vale para as médias e pequenas, como atleta, precisa buscar a excelência todos os dias. Só assim se criam as condições para ser competitivo.”
*Rivista Undici, 10/09/2018.*