Análise: meio-campo encorpado dá vida ao Brasil e indica caminhos para Ancelotti neste início de ciclo

Seleção leva susto, mas venceu a Austrália no segundo jogo depois da copa
Carlo Ancelotti que me desculpe, mas ganhar o meio de campo é fundamental. E a vitória do Brasil sobre a Austrália, em Brisbane, diz, sim, muito sobre isso. Entre sustos e viradas, a Seleção merece mais elogios do que críticas e isso passa muito pela maior presença no setor.
+ Ancelotti aprova Brasil contra a Austrália, não descarta voltar ao 4-2-4 e anuncia troca no próximo jogo
Bruno Guimarães, do Brasil, comemora gol em amistoso contra a Austrália.
EFE/EPA/DARREN ENGLAND
De volta ao 4-3-3 com Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo no meio, o Brasil tinha presença maior no campo de ataque, associava as jogadas com mais gente pelos lados do campo e ganhou volume ofensivo. A transição defensiva deixou a desejar, mas vamos deixar as críticas mais para o fim do texto.
+ Brasil vira sobre a Austrália em jogo de seis gols e vence amistoso em Brisbane
Entrevista coletiva de Carlo Ancelotti após vitória sobre a Austrália
A subida de rendimento de Danilo e Bruno em relação ao jogo da última sexta-feira é um dos maiores exemplos do quanto a Seleção fica mais encorpada com mais gente no meio de campo. Em formato de tripé, um dos volantes baixava para auxiliar na saída a três e sempre tinha duas boas opções adiante para sair jogando.
Técnico Carlo Ancelotti orienta a Seleção em amistoso contra a Austrália
Albert Perez/Getty Images
Fosse para apoio em dinâmica de terceiro homem, fosse ajudando na progressão com auxílio dos laterais, a presença de um meio-campista a mais fez com que o Brasil se impusesse diante da Austrália. E o gol de Vanderson logo aos três minutos comprova isso.
A jogada teve BG na construção baixa, Bontempo no apoio para progressão de Vanderson, Rayan em profundidade, e novamente o meia recebendo na área para dar assistência para o lateral. A Seleção iniciou o jogo de maneira mais intensa e impôs dificuldades aos donos da casa também na pressão alta.
Aos 2 min do 1º tempo – GOLAÇO DO BRASIL! Vanderson bate de primeira e abre o placar!
O jogo funcionou tão bem nos primeiros 20 minutos que o Brasil se mandou e deu espaço para contragolpes australianos. É bem verdade que a Seleção teve dificuldade em marcar correndo para trás. Em muitos momentos, a primeira linha parecia exposta e este ajuste fino para sincronia do avanço dos volantes é um dos desafios da formação.
A rigor, no entanto, a Austrália deu os mesmos sete chutes do jogo de sexta, em Townsville. Mais um elemento que direciona as atenções para a melhoria brasileira no volume ofensivo.
Com o meio mais encorpado, o Brasil finalizou mais em relação à sexta (18×6), finalizou mais dentro da área (13×8), teve mais ações dentro da área (30×18) e ganhou bem mais duelos (54×39). Números que ajudam a explicar a mudança de comportamento.
Sem Raphinha na volta do intervalo, Ancelotti apostou em Endrick para atacar as costas da última linha, e o Brasil passou a acionar mais Vini Jr. na profundidade. Por mais que a Austrália seguisse levando perigo, principalmente em bolas alçadas, a vitória parecia questão de tempo com o volume ofensivo brasileiro.
Bruno Guimarães fez o terceiro em bela jogada que, mais uma vez, começou lá atrás e teve associação com participação dos volantes até o gol. E depois Vini cobrou pênalti para fechar o placar.
Se é preciso encontrar equilíbrio nas ações sem a bola, o Brasil ao menos apresentou maior repertório e ímpeto ofensivo. E isso passa muito pela composição do meio de campo. Agora, é com você, Ancelotti.