México domina, mas deixa de fazer saldo contra a frágil África do Sul

Não houve surpresas na abertura da Copa do Mundo 2026. Jogando diante de mais de 80 mil torcedores na Cidade do México, uma das seleções anfitriãs bateu a África do Sul por 2×0. O duelo confirmou a disparidade entre as equipes, mas deixou uma ponta de dúvida sobre o real potencial dos donos da casa, que oscilaram o desempenho e chegaram a irritar a torcida em determinado momento.
Quiñones, o melhor em campo, e o centroavante Raul Jiménez fizeram os gols do triunfo. Um em cada tempo. O sul-africanos apresentaram problemas na saída de bola e para encaixar a marcação no organizado ataque mexicano. Não tiveram também contundência ao trocar passes no campo rival. Com um pouco mais de precisão nos arremates e constância de ritmo, o México teria goleado.
Escalações
Javier Aguirre optou por Israel Reyes ao invés de Jorge Sanchez na lateral-direita. Alvarado atuou como ponta-direita e Brian Gutiérrez foi o meia-direita. Já Hugo Broos surpreendeu ao escalar uma linha de cinco na defesa sul-africana. Adams, Sithole e Mokoena formaram o meio. Rayners e Lyle Foster fizeram a dupla de ataque.
Como México e África do Sul iniciaram o jogo de abertura da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
A impressionante atmosfera do Estádio Azteca impulsou o México a um início de jogo praticamente perfeito na capital do país. Tomou conta da posse de bola em uma estrutura ofensiva bem clara. Prendia o lateral Reyes para fazer a saída de três quase sempre. Quando este não cumpria tal função, Erik Lira recuava para fazer. Gallardo e Alvarado davam amplitude ao time no campo de ataque.
Quiñones trabalhava da esquerda para o meio, bem perto de Jiménez e Brian Gutiérrez. Fidalgo era o principal articulador do meio-campo. Os sul-africanos foram empurrados para trás. Tentaram sair jogando com passes curtos, mas a pressão mexicana foi mais eficaz. Com apenas oito minutos os donos da casa já venciam o jogo.
Erik Lira ”saltou” para pressionar Sithole, que recebeu na ”fogueira” do goleiro Williams e entregou o ouro. Quiñones se aproveitou para bater entre as pernas do arqueiro e abrir o placar. O artilheiro da Liga Saudita confirmou as expectativas positivas sobre o seu futebol e foi o principal jogador do 1º tempo. Acertou a trave esquerda de Williams na sequência e participou das principais jogadas tricolores.
Gol de Julian Quiñones em México x África do Sul
Reuters
Por mais que a África do Sul tenha adiantado a marcação após o gol e trocado passes dentro do campo adversário, não mostrou potencial para assustar a meta de Rangel. Jayden Adams era o único lúcido do meio-campo. Mokoena e Sithole erravam bastante, assim como Mudau e a dupla de ataque. Na defesa, Mbokazi conseguia algum destaque pelo seu estilo de jogo duro e subidas ao ataque.
O México adminsitrou o ritmo, e mesmo assim poderia ter ido para o vestiário com uma vitória parcial maior. A medida que o tempo foi passando, os espaços foram aparecendo naturalmente para os anfitriões. Erik Lira e Fidalgo deram boas soluções na troca de passes pelo centro. Quiñones se associou com Gallardo e com Brian Rodriguez, que perdeu ótima chance de gol nos acréscimos.
Alvarado se destacou ofensivamente pelo lado direito, mas também na marcação a Modiba. Já o centroavante Raul Jiménez poderia ter balançado a rede duas vezes. Williams impediu o tento em ambas.
Do mesmo jeito que fazia boas defesas, o arqueiro sul-africano tomava decisões erradas com a bola nos pés. Foi assim que entegou nos pés de Fidalgo nos primeiros segundos do 2º tempo. O meia hesitou para finalizar e Brian Guitérrez mandou por cima na sequência.
México x África do Sul – Copa do Mundo – 1ª Rodada
REUTERS/Kai Pfaffenbach
O México voltou do intervalo disposto a ampliar o resultado e resolver logo a situação. Acelerou a troca de passes novamente e encaixou bons e coordenados movimentos no setor ofensivo. Em um deles, Brian Rodriguez saiu na cara do gol e foi derubado por Sithole, que acabou expulso aos quatro minutos da 2ª etapa.
Mbatha entrou para recompor o meio. O apagado Lyle Foster saiu. Logo depois foi a vez de Zwane substituir Jayden Adams. Ao invés de manter a ”pegada”, os donos da casa voltaram a deixar a energia cair e não aproveitaram o fato de ter um homem a mais. Javier Aguirre esperou até os 20 minutos para mexer. Pôs o jovem promissor Gilberto Mora e o meia Luis Chávez. Brian Giménez e Fidalgo saíram.
No instante seguinte viu sua equipe ampliar o placar. Quiñones, mais uma vez, fez boa jogada pelo meio e tabelou com Jiménez antes de abrir para Alvarado. O ponta-direita cruzou na medida para Raul Jiménez marcar de cabeça. Édson Álvarez, Armando González e Vega foram os outros três atletas oriundos do banco utilizados por Aguirre. Erik Lira, Jiménez e Quiñones foram sacados antes do fim.
Na África do Sul, Appolis e Makgopa substituíram Modiba e Rayners. Zwane ainda foi expulso ao agredir Alvarado fora da disputa da bola. Apesar do amplo domínio territorial e da superioridade numérica, os mexicanos não produziram mais chances de perigo e ainda cederam um contragolpe que resultou na expulsão de Montes nos acréscimos.